Férias românticas e com gostinho de comemoração, era o que a gente queria. Sentamos e começamos a ver vários roteiros, todos maravilhosos, todos com potencial de ser a viagem dos sonhos. Na verdade, a viagem dos sonhos seria em qualquer lugar porque quando se viaja com quem se ama é sempre assim. Mas o que eu quero dizer é que a gente acertou. Voltaria ao Vale do Colchagua e passaria muito mais tempo lá. A nossa viagem foi ao Chile – Santiago, Vale do Colchagua, especificamente a cidade de Santa Cruz, e Viña del Mar.

A primeira coisa que a gente faz quando decide viajar e elenca os possíveis roteiros é fazer pesquisas na internet. Durante as pesquisas, vimos que tinham algumas opções. Tinha gente que fechava pacote em empresas e ia passar o dia no Vale e voltava para Santiago no mesmo dia, e tinha gente que dormia uma noite apenas no Vale. Quando vi as imagens do lugar pela internet pensei: vamos passar duas noites nesse lugar. Erramos! Foi pouco tempo. Se tivesse que refazer meu roteiro, passaria, no mínimo, mais uma noite por lá. O lugar nos convida para outro ritmo, pede que você descanse e quase exige que você o contemple de tão perfeito.

Sobre o Vale do Colchagua

O Vale do Colchagua tem 27 vinícolas e é onde se produz os melhores vinhos chilenos. Nós gostamos muito de vinho. Não somos grandes conhecedores da bebida de Baco, mas a apreciamos em suas diversas formas.

Chegamos ao Vale e nos hospedamos em um hotel chamado Terraviña. Em todos os lados tinham parreiras, as chamadas viñas, encantadoramente lindas, dando uma simetria única ao local.

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O hotel era perto o suficiente da cidade para irmos caminhando (1km) e distante o suficiente para não ouvirmos absolutamente nada à noite e pela manhã, apenas o barulho dos pássaros. Um dos lugares mais legais e românticos que já fui. Indicarei sempre que necessário e possível esse hotel. Desde a comodidade e limpeza dos quartos, ao atendimento na recepção. A dona é uma jornalista dinamarquesa muito educada, solícita e simpática. E a decoração é a minha cara ;). Sem luxo, com conforto, e muito, muito charme.

A região não é das mais procuradas do Chile pelos turistas, eu não faço ideia do porquê. Mas, no que depender de mim, ela continua como está: linda e calma. Para se ter uma ideia, nós não fomos esquiar no Vale Nevado, como faz a maioria dos turistas, leia-se, a maioria dos brasileiros, que são aproximadamente 90% dos turistas do país (dado empírico e não comprovado cientificamente rs.).

Como chegar

Quem acompanha o blog já deve ter visto nos meus posts que eu sou muito adepta ao lado B dos roteiros. Não gosto muito dos roteiros mais tradicionais, curto optar pelo diferente. O nosso diferente dessa vez começou com a forma como a gente escolheu ir para o Vale. Enquanto a maioria dos brasileiros optavam por fechar pacotes ou alugar carros, o que sai muito caro, nós optamos pelo tradicional ônibus de linha (ao final do post vou disponibilizar todos os serviços).

Foram 3h de viagens, os ônibus são mais para velhos do que para novos, são sujinhos, param muitas vezes no caminho, mas mesmo assim vale a pena a aventura. Principalmente pelo custo benefício. A passagem de ônibus é algo em torno do R$15, e a viagem 2 horas e meia.

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Passeio de charrete nos vinhedos da Viu Manent

Chegamos à pequena cidade de Santa Cruz no meio da tarde de uma sexta-feira. Pegamos um taxi para o hotel, que como já falei, fica bem perto da cidade, e deixamos as malas. Como não havíamos almoçado, corremos para almoçar. Ao lado do hotel há um restaurante maravilhoso, o  Vino Bello . O caminho do hotel para o restaurante é feito por dentro das vinhas e é acompanhado pelo cachorro do hotel, que guia os hóspedes.

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Caminho entre o hotel Terraviña e o Restaurante Vino Bello

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Mais romântico e bucólico impossível. A comida desse restaurante era realmente sensacional e foi uma ótima pedida.

Achados pelo caminho

Logo depois do almoço saímos em caminhada para a cidade e no caminho vimos uma vinícola, a Laura Hartwig, e decidimos entrar andando mesmo pra dar uma olhada.

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Chegando lá estava começando uma visita guiada para um grupo de idosas de Santiago. Acompanhamos a visita e a degustação naquela que era uma das menores vinícolas da região. Uma produção bem artesanal e cheia de charme. Demos sorte por estar naquele momento acontecendo a visita para outro grupo, mas o certo mesmo é sempre agendar as visitas pelas vinícolas.

Todas elas têm um preço que varia de acordo com o que você pretende fazer, se só a visita guiada, se visita + degustação ou só degustação. Algumas também têm diferentes tipos de degustação. Mas isso a gente pouco sabia quando chegamos à nossa primeira vinícola com a cara e a coragem. Saímos de lá bem satisfeitos e com uma garrafa de Sirah na mão.

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Vinho Sirah Laura Hartwig

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Viña Montes

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Lapostolle

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Passeios

Seguimos para o centro da cidade onde sabíamos que havia uma loja da  Ruta del Vino, uma espécie de cooperativa das vinícolas que oferece e organiza os passeios. Chegamos perto das 18h e tivemos um péssimo atendimento.

Fomos ao hotel ao lado, o Hotel Santa Cruz, que também tinha uma agência de turismo dentro, buscamos nos informar também sobre os passeios. Pegamos algumas informações, mas achamos tudo bem caro. Lembramos dos blogs de viajantes e quando chegamos ao hotel fomos pesquisar as opções.

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Além da indicação que vimos no blog, que era contratar uma pessoa para ficar com a gente o dia todo e que custava também caro, perguntamos na recepção do hotel se eles tinham alguém para indicar. Atenção! É assim que a gente encontra ouro em viagens, viu?! Tem que perguntar, tem que pesquisar, tem que ter cara de pau. Nunca feche com o primeiro orçamento, nunca acredite em apenas uma pessoa e não se prenda a roteiros prontos.

A dona do hotel nos falou que tinha um taxista que fazia tudo isso por exatamente a METADE do preço que havíamos visto. Eles cobram um preço fixo por vinícola, e ficam nos esperando. Ela tinha também um catálogo com todas as vinícolas da região. Conversamos muito e ela me ajudou a decidir as outras três vinícolas que visitaríamos no dia seguinte. Geralmente o máximo são três vinícolas por dia. Tanto pela carga etílica quanto pelo tempo mesmo. Rs.

Por fazerem parte de uma cooperativa, as vinícolas oferecem passeios bem diferentes. Nenhum passeio é igual ao outro, cada um tem sua peculiaridade. Têm vinícolas maiores e menores, mais artesanais ou mais industrializadas, mais ou menos turísticas, mais ou menos charmosas, e assim por diante.

Como já havíamos conhecido uma pequena e quase artesanal, optamos por uma moderna e especializada, que produzia apenas um tipo de vinho, sendo ele um vinho de altíssimo padrão, uma mais charmosa com passeio de charrete e um possível passeio de bicicleta (que não rolou por conta da chuva) e uma bem grande e moderna.

Optamos por não ir nas mais turísticas porque eram distantes e não faziam muito o nosso estilo. A nossa escolha foi então: Lapostolle, Viña Montes  e Viu Manent . Outras tantas ficaram na nossa lista para uma volta. Sim, sim, sim, queremos voltar o quanto antes e de preferência nos meses de dezembro a março que é outra estação e as parreiras estarão cheias de uvas. Nessa época é comum os passeios serem com degustação das uvas também.

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Outras dicas:

Jantamos no restaurante do Hotel Santa Cruz, que fica na praça central da cidade. A comida é excelente, vale muito a pena ir.

Almoço – Na vinícola Viu Manent tem um restaurante, o Rayuela, que é simplesmente sensacional. Uma das melhores carnes que já comemos! Tentem sempre organizar o passeio de forma a garantir um almoço no Rayuela. Não esqueçam de fazer a reserva também. É sempre muito lotado. Nesta vinícola vale a pena fazer o passeio de charrete ou de bicicleta se o dia for de tempo bom!

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Entrada da vinícola Viu Manent

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Sala de Degustação da Viu Manent

Vinhos – Não vou me meter a falar de vinho porque a minha sugestão é que todo mundo que goste um pouco dessa bebida faça essa viagem para curtir um pouco mais esse universo. Mas vou dar algumas dicas como: comprem um vinho de guarda. Vinhos de guarda são aqueles que vão melhorando ao longo dos anos (não, não são todos os vinhos que melhoram com o tempo como se pensa no imaginário coletivo kkkkkk), e que podem ser guardados, geralmente por 10, 15 ou 20 anos. No nosso caso, como a viagem foi comemorativa dos nossos 10 anos de namoro, resolvemos comprar um vinho que durasse por, no mínimo, mais dez anos para que a gente possa abrir na comemoração dos nossos 20 anos juntos. Então, fica a dica romântica.

Hospedagem – Para além do Terraviña, que foi o hotel que ficamos, existem vinícolas que oferecem também o serviço de hospedagens. Vale a pena pesquisar. Ficamos sabendo que o da Lapostolle Residence é de altíssimo nível. Tem outros muito bons e mais viáveis também.

Busão – Os ônibus saem diariamente e de 20 em 20 min. Mas tem que tomar cuidado porque ele sai de um terminal mais antigo que fica ao lado de um terminal mais novo. A referência é o Ibis Centro. Se você chegar ao Ibis Centro (olhando para ele) a sua direita está a antiga rodoviária, onde você tem mais opções de ônibus que levam para Santa Cruz, ou para o sul de uma forma geral, e a sua esquerda está o novo terminal, onde fica também a entrada e saída do metrô.
• Terminal rodoviário Alameda: Av. Bernardo O’Higgins 3570, metrô Universidad de Santiago. Telefone: (56-2) 7762424
• Terminal rodoviário Santiago (ex Terminal Sur): Alameda e Nicasio Retamales, a 150 m ao oeste do Terminal rodoviário Alameda. Telefone: (56-2) 3761750

Para mais informações: Chile Travel

Vale do Colchagua no Chile
Mini guia sobre o Vale do Colchagua no Chile

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