Por que temos que ter um rótulo, um adjetivo que defina algum comportamento? Você tem um perfil de viajante definido? Eu não acho que tenho e não fico tentando identificar isso nas outras pessoas.

Há tempos leio comentários a respeito principalmente nas redes sociais e fico me perguntando por que temos que explanar nossa opinião sem termos sido perguntados? E na maioria das vezes as palavras são praticamente um julgamento, um rótulo, adjetivos usados como determinantes de características.

Isso tem me incomodado muito, nunca comento mas fico remoendo por dentro e resolvi registrar aqui o que penso a respeito e ficaria muito feliz de saber o que vocês, leitores que vêm em busca de dicas de viagem, acham sobre isso.

Qual o meu perfil de viajante?

Sei lá! Nunca parei pra pensar nisso. Numa viagem estou mais despojada, sem roteiro diário pré-definido, sem ingresso comprado pra alguma atração, me hospedo em hotéis mais baratos, dividimos um único quarto com os meninos quando o hotel permite.

Em outras quero ficar num quarto de hotel com vista pra o mar,  reservo um quarto pra Ricardo e eu e outro pra os meninos, ou viajamos só nós dois, já saio daqui com uma mesa reservada num restaurante badalado e ingressos pra shows comprados.

E aí, em qual perfil me enquadro? Sou uma viajante aventureira, mochileira, que se hospeda em hostel? Ou sou uma viajante exigente, que não abre mão de conforto e de conhecer lugares sofisticados?

E quando volto de viagem e preciso pagar $150 por um volume de mala excedente da franquia a que tenho direito sou chamada de consumista? Os comentários a respeito são do tipo “eu prefiro gastar o dinheiro em outra viagem do que com compras”. Ou “viajo para conhecer lugares e culturas diferentes e não para voltar cheia de muamba” ou ainda “não dou valor ao material, o que mais vale pra mim é adquirir lembranças” e por aí vai…

Sinceramente não sei o motivo para sermos julgados quanto ao nosso perfil de viajante, o que interessa se eu viajo com uma mochila nas costas ou com 2 volumes com 23 kg (nas regras atuais) e acho que serão pouco para o que pretendo comprar ou até mesmo o que já levo de roupas por não ser prática nesse quesito durante uma viagem?

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Cada um faz o tipo de viagem que quer, que pode pagar naquele momento, que se enquadra na situação que vive atualmente e tudo isso pode mudar, depende de varíaveis. O ritmo e o tipo do espetáculo da vida cada um define como quer e acha melhor.

Show das Rockettes em New York

Nós começamos a viajar depois dos 30 anos por vários motivos e faríamos exatamente do mesmo jeito se tivéssemos como voltar atrás e revermos como tudo aconteceu.

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Não temos anotações com os nomes dos países onde já estivemos, nem a quantidade de cidades que conhecemos, quantas vezes subimos num avião, porque isso não importa pra nós. Temos esses números em nossas lembranças que vêm à tona durante uma conversa informal numa mesa com amigos. E não julgamos quem faz isso, cada um tem um estilo de vida e dá importância a coisas diferentes. Já pensou se fôssemos todos iguais?

Por que voltamos tantas vezes à Las Vegas, à New York, voltarei pela 3ª vez à Paris e Ricardo pela 4ª? Porque voltamos onde temos vontade de estar, de rever e não para contar números. Mas ok para o viajante que prefere ficar 10 dias na mesma cidade numa única viagem e não voltar mais.

Las Vegas e seus lindos hotéis

O mesmo com relação às crianças. Muitas famílias viajam com seus filhos desde que são bebês, ótimo. Mas isso não quer dizer que todas as famílias deviam fazer o mesmo. Os nossos começaram a viajar maiores e não vemos problema nenhum nisso porque temos uma programação de vida e as viagens foram colocadas num lugar bem mais pra frente.

E estamos errados por isso? Somos materialistas porque preferimos organizar nossas vidas financeiramente, conseguirmos uma estabilidade ao invés de cairmos no mundo com a prole embaixo do braço? Claro que não, se a condição para concretizarmos nossos ideais foi essa, qual o problema?

As famílias que não precisam abrir mão das viagens para conseguirem realizar o planejamento de vida são minoria. E que bom que elas existem certo? Como também tem quem pense exclusivamente no aqui e agora, usam o ditado ‘o futuro a Deus pertence’ literalmente, ok pra elas também, o que eu – nós, temos a ver com isso?

Se eu preferi pegar meu dinheiro suado e comprar algumas bolsas Louis Vuitton ao invés de usá-lo para levar meus filhos a Gramado por exemplo, o que as outras pessoas têm a ver com isso? Significa que eu amo meus filhos menos do que as mães que não fariam isso?

Esse texto é um desabafo como disse inicialmente. Com o crescimento das redes sociais as pessoas se expõem infinitamente mais do que quando elas não existiam, e com isso quem vê o que mostram as fotos e as postagens se acha no direito de dar pitaco. Comentar é uma coisa, mas julgar e criticar são coisas bem diferentes.

Acredito que o respeito às pessoas e às diferenças seja sempre um fator importantíssimo tantos nos relacionamento pessoais como nos virtuais.

Demos um corte em nossas viagens desde o ano passado para reformarmos um apartamento que acabamos de receber. São quase 3 anos de porgramação enquanto o prédio estava sendo construído.

Quantas viagens poderíamos ter feito com o dinheiro? Isso não interessa a ninguém mais além de a Ricardo e a mim. Nós vivemos sempre em cima de planejamentos e é assim que levamos a vida. Com certeza outras pessoas fariam a mudança com os móveis que têm e sem fazer nenhum reforma. É uma decisão pessoal.

Já que recebemos o apartamento e a obra de reforma está a todo vapor, os planejamentos estão parados? Que nada,  já temos outros planos para começarmos a organizar quando a obra acabar e tudo junto e misturado 2 viagens, uma só dós dois e outra em família, essa com uma parte já definida e alguns custos sendo pagos, mas só vou comentar mais pra frente. Estou com muita coisa na cabeça no momento.

Há quem não vê prioridade nisso? Claro que há. Mas e daí? Por acaso estamos pedindo dinheiro emprestado e precisamos dar satisfação a quem quer que seja? Não!

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Minha sugestão é cada um olhar para o próprio umbigo, seguir a vida no trilho que acha seguro, válido e respeitar as outras pessoas. Se não tem elogios a fazer, passe pra frente. Não dê opinião quando não é solicitada.

Ninguém tem que se enquadrar num perfil de viajante. Tem dinheiro e tempo pra viajar? Então escolha o destino adequado para o momento que está vivendo e siga. Seja feliz e aproveite todos os instantes vividos na viagem.

Perfil de viajante

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