Fiz esse post pensando que até as delícias da vida podem ser saudáveis desde que a gente passe a ter um outro olhar sobre a nossa alimentação e, principalmente, a dos pequenos. Essa criançada que está em formação é quem mais precisa de cuidados especiais para terem no presente e no futuro hábitos melhores.

Como sei que muitas mães e pais vêm aqui no blog pegar dicas de comidinhas deliciosas, espero que esse post contribua para que façamos mais, nós mesmos, as nossas saborosas delícias e que possamos ao aprender a decifrar as embalagens dos produtos, fazer, além de comidas com mais amor, porque são feitas por nós, fazermos também comidas mais saudáveis, com menos conservantes, sódio, corantes, etc, etc, etc.. Opção por fazer é também, muitas vezes opção pela saúde!

Já faz um tempo que acompanho o Projeto “Criança e Consumo”, do Instituto Alana. Ele traz discussões muito importantes sobre o consumismo infantil, a publicidade de alimentos não saudáveis para crianças, e a saúde e a educação dos pequenos de uma forma geral. Acho o trabalho deles muito interessante, principalmente porque apostam em produtos audiovisuais que facilitam a compreensão da mensagem, inclusive para o próprio público infantil.

Quem faz a produção desses vídeos é geralmente uma produtora chamada Maria Farinha Produções. O primeiro trabalho deles que eu conheci foi o filme “Criança – a alma do negócio”. Um dos mais sensacionais documentários brasileiros sobre o apelo das indústrias e da publicidade ao consumismo infantil. No ano passado eles lançaram um outro documentário, “ Muito Além do peso”, que trata das consequências do primeiro filme, que é o consumo – especificamente os de alimentos não saudáveis – das crianças. Agora eles lançam um pequeno produto sobre o que estamos realmente ingerindo quando comemos determinados alimentos.

O vídeo se chama “Conheça Melhor seus Alimentos”, e além de mostrar o quanto de açúcar ou gordura têm alguns dos alimentos mais “desejados pela criançada”, ensina-nos a ler os seus rótulos, desvendando alguns mistérios como, por exemplo, os diversos nomes que o açúcar tem e que são usados para driblar os mais curioso que ainda ousam tentar decifrar as embalagens dos produtos. Vale ressaltar que as dicas não valem só para os alimentos infantis, mas para os nossos também. Muitas vezes nós caímos na ilusão de alguns diet, lights e zero, e a nutricionista ajuda a ver o que realmente é sério nessa indústria do pseudo saudável. O vídeo então é a minha sugestão para a semana ou até para a vida!

http://vimeo.com/72067089

http://vimeo.com/72067089

Não acho que não tem a pretensão de manter suas crianças definitivamente longe dos alimentos não saudáveis deva tirar de vez esse tipo de alimentos da dieta das crianças, mas ao menos, deve-se tentar reduzir ao máximo o consumo deles como prova de amor aos seus filhos, que ainda podem adquirir hábitos mais saudáveis. Mas também não caiam no erro de levá-los a uma lanchonete de alimentos não saudáveis, ou comprar algo não nutritivo ou excessivamente açucarado ou gorduroso como uma premiação, por exemplo. Porque dessa forma você só reforça a ideia de que aqueles alimentos são “bons”. Então, você vira a vilã por proibi-lo cotidianamente. Se achar pertinente, abra a exceção sem muito estardalhaço, e vá aos poucos tentando diminuir o consumo desses alimentos sem valorizar claramente esse processo.

Eu posso me dizer exemplo vivo de pais que tentaram manter seus filhos longe desse tipo de alimentos durante a infância. Quando pequena, meu pai, médico chatonildo (hauhauahua) – como ele era chamado por minhas irmãs e por mim , não deixava entrar em nossa casa praticamente nenhum tipo de alimento industrializado que não os muito necessários (arroz, feijão, farinha). Logo, nós não tomávamos leite com Nescau, e sim com açúcar mascavo (ele brincava que a rapadurazinha de dentro era crocante ;), não tinha biscoito nem refrigerante, muito menos enlatados e embutidos. Nunca fomos na companhia dos nossos pais ao McDonald’s, nem em nenhuma outra lanchonete junk food, e a fartura das frutas e verduras em casa ainda era grande. Essa dieta durou até a adolescência, quando fomos “liberadas”.

Acho que no começo nós comemos algumas dessas coisas por curiosidade, mas aos poucos fomos nos afastando naturalmente delas, com exceção de uma das irmãs, que optou por hábitos não saudáveis e há 4 anos teve que se submeter a uma cirurgia de redução do estômago por obesidade mórbida.
Pretendo repassar isso para os meus filhos e venho vendo que essa é uma preocupação presente na minha geração e que tem tido a ajuda de grupos como o Alana. Acredito que meus filhos, no início, vão me achar uma chatonilda também. Terei orgulho do meu apelido, pois sei que assim como eu, quando eles chegarem aos 30 vão entender o meu amor, vão me agradecer, e, assim como eu, vão querer reproduzir esse cuidado com os seus filhos.